ENEM Linguagens, Códigos e suas Tecnologias 1 — Questions and Answers
Question 1: Leia a tirinha a seguir: [Personagem 1, olhando para o celular]: "Você leu o livro que te indiquei?" [Personagem 2]: "Li sim! Adorei o final!" [Personagem 1]: "Que final? O livro não tem fim, é uma trilogia!" [Personagem 2, suando frio]: "..." Na tirinha, o humor resulta principalmente de:
- O uso exagerado de pontuação para expressar surpresa.
- A contradição entre o que o Personagem 2 afirma ter feito e o que de fato fez, revelando que não leu o livro. (Correct answer)
- A crítica ao hábito de leitura de trilogias extensas.
- A ironia do Personagem 1 ao elogiar a escolha literária do amigo.
Correct answer: A contradição entre o que o Personagem 2 afirma ter feito e o que de fato fez, revelando que não leu o livro.
O efeito cômico da tirinha se constrói pela contradição: o Personagem 2 afirma ter lido e adorado o 'final', porém o livro não possui fim individual — é parte de uma trilogia. Esse recurso, chamado de ironia situacional, expõe a mentira do personagem de forma implícita, provocando o humor.
Question 2: Leia o poema de Carlos Drummond de Andrade: "No meio do caminho tinha uma pedra tinha uma pedra no meio do caminho tinha uma pedra no meio do caminho tinha uma pedra." A repetição insistente do verso no poema tem função predominantemente:
- Descritiva, pois detalha com precisão o obstáculo encontrado pelo eu lírico.
- Narrativa, pois conta uma história com início, meio e fim.
- Expressiva e rítmica, enfatizando o obstáculo como algo obsessivo e inevitável na trajetória do sujeito. (Correct answer)
- Informativa, transmitindo ao leitor dados objetivos sobre o caminho percorrido.
Correct answer: Expressiva e rítmica, enfatizando o obstáculo como algo obsessivo e inevitável na trajetória do sujeito.
A repetição em Drummond não é mero recurso decorativo: ela mimetiza a obsessão e o peso do obstáculo (a pedra) na memória do eu lírico. Trata-se de uma função expressiva e rítmica, característica do Modernismo brasileiro, que rompe com a versificação clássica para dar força emocional ao texto.
Question 3: Leia a charge: [Um político discursa em palanque com cartaz: 'VOTO EM MIM = EMPREGO PARA TODOS'. Ao fundo, sua fábrica tem placa 'TERCEIRIZAÇÃO TOTAL — SEM CARTEIRA ASSINADA'.] O recurso expressivo central utilizado na charge para criticar o político é:
- A hipérbole, pois a promessa de emprego para todos é exagerada.
- A antítese entre o discurso do político e a realidade mostrada ao fundo, criando ironia crítica. (Correct answer)
- A metonímia, representando o trabalhador pela carteira de trabalho.
- O eufemismo, suavizando a crítica ao uso de terceirização.
Correct answer: A antítese entre o discurso do político e a realidade mostrada ao fundo, criando ironia crítica.
A charge constrói sua crítica por meio da antítese visual: o discurso promissor do político contrasta diretamente com a realidade exposta ao fundo (fábrica sem carteira assinada). Esse contraste gera ironia, recurso típico das charges, que denuncia a hipocrisia do discurso político.
Question 4: Leia o trecho da crônica de Luis Fernando Veríssimo: "O brasileiro tem um gênio todo especial para lidar com a crise: ele sorri, improvisa e terceiriza a culpa. Ontem a culpa era do governo; hoje é da seca; amanhã será de Mercúrio retrógrado." Nesse trecho, a expressão 'Mercúrio retrógrado' é utilizada para:
- Indicar um fenômeno astronômico que realmente causa crises econômicas.
- Fazer referência intertextual à mitologia romana.
- Representar, com ironia, as justificativas vagas e supersticiosas que as pessoas usam para explicar problemas. (Correct answer)
- Criticar diretamente a crença em astrologia como prática nociva.
Correct answer: Representar, com ironia, as justificativas vagas e supersticiosas que as pessoas usam para explicar problemas.
O cronista usa 'Mercúrio retrógrado' — expressão da astrologia popular — para simbolizar, ironicamente, as justificativas infundadas que substituem a responsabilização real. A progressão 'governo → seca → Mercúrio retrógrado' mostra o afastamento crescente da realidade, reforçando a crítica bem-humorada do autor.
Question 5: Leia o trecho: "Ela entrou na sala como uma tempestade: destruiu tudo ao seu redor sem pedir licença." A linguagem figurada predominante nesse enunciado é:
- Personificação, pois atribui características humanas à tempestade.
- Comparação (símile), pois aproxima o comportamento da personagem ao de uma tempestade usando 'como'. (Correct answer)
- Metonímia, pois substitui o nome da personagem pelo fenômeno climático.
- Hipérbole, pois exagera a destruição causada pela personagem.
Correct answer: Comparação (símile), pois aproxima o comportamento da personagem ao de uma tempestade usando 'como'.
O enunciado usa a comparação (ou símile), recurso que estabelece semelhança entre dois elementos por meio de um conectivo comparativo — neste caso, 'como'. Diferencia-se da metáfora por tornar explícita a comparação. A figura ressalta a intensidade e o impacto da entrada da personagem.
Question 6: Leia o poema concreto: s so sol sole soled soleda soledaD soledaDE soledadeD soledadeDE Nesse poema visual, o recurso utilizado revela:
- A evolução do idioma espanhol para o português ao longo do tempo.
- A construção progressiva da palavra 'solidão' em português, explorando a forma gráfica como parte do significado. (Correct answer)
- Uma crítica à poesia tradicional por meio do uso de letras maiúsculas.
- O uso da intertextualidade com a literatura espanhola clássica.
Correct answer: A construção progressiva da palavra 'solidão' em português, explorando a forma gráfica como parte do significado.
No poema concreto, a forma visual é parte inseparável do conteúdo. A construção gradual da palavra 'solidão' (soledade) mimetiza o processo de isolamento: começa em 's' e se expande, como se a solidão fosse crescendo. Esse é um recurso característico do Concretismo, movimento que integra linguagem verbal e visual.
Question 7: Leia o texto: "A lua veio de manhã pra me ouvir Quer ser criança e aprender a sorrir" (Fagner) O trecho da canção apresenta a figura de linguagem denominada:
- Hipérbole, pois exagera a capacidade da lua de ouvir o eu lírico.
- Antítese, pois opõe manhã e noite como momentos distintos da lua.
- Personificação (prosopopeia), pois atribui à lua características e desejos humanos. (Correct answer)
- Eufemismo, pois suaviza a solidão do eu lírico ao incluir a lua como companhia.
Correct answer: Personificação (prosopopeia), pois atribui à lua características e desejos humanos.
A personificação (ou prosopopeia) consiste em atribuir características, sentimentos ou ações humanas a seres inanimados ou da natureza. No trecho, a lua 'vem ouvir', 'quer ser criança' e 'aprender a sorrir' — ações e desejos tipicamente humanos atribuídos ao astro, recurso frequente na linguagem poética e musical.
Question 8: Leia o trecho: "Dizem que a nossa língua é rica e bela. Mas a gente não pode dizer 'a gente vai', temos que dizer 'a gente vamos'? Isso é absurdo!" O enunciado acima demonstra que o falante desconhece:
- A norma culta da língua portuguesa, que exige uso do plural em todos os pronomes.
- O conceito de variação linguística, especialmente a coexistência de formas na norma culta ('a gente vai') e no uso coloquial.
- A diferença entre língua oral e língua escrita no Brasil.
- O fato de que 'a gente' é um pronome de 3ª pessoa do singular e, portanto, o verbo deve concordar no singular ('a gente vai'), o que é a forma aceita pela norma padrão. (Correct answer)
Correct answer: O fato de que 'a gente' é um pronome de 3ª pessoa do singular e, portanto, o verbo deve concordar no singular ('a gente vai'), o que é a forma aceita pela norma padrão.
'A gente', quando usado como pronome equivalente a 'nós', exige verbo na 3ª pessoa do singular ('a gente vai'), e não no plural. Isso é amplamente aceito pela norma padrão contemporânea. O falante do texto confunde as formas ao achar absurdo o que é, na verdade, a regra gramaticalmente correta.
Leia a tirinha a seguir:
[Personagem 1, olhando para o celular]: "Você leu o livro que te indiquei?"
[Personagem 2]: "Li sim! Adorei o final!"
[Personagem 1]: "Que final? O livro não tem fim, é uma trilogia!"
[Personagem 2, suando frio]: "..."
Na tirinha, o humor resulta principalmente de: